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O Livro Eu e Meu Lugar faz parte da coleção Eu vim da Bahia da editora baiana Caramurê.

Neste livro da coleção, a personagem baiana que tem sua vida retratada é Riachão.

A história se passa no bairro do Garcia na cidade de Salvador-Bahia, numa tarde de verão e entre amigos que vivem na mesma rua.

A biografia de Riachão vai sendo desvelada junto à história que possui muitos símbolos inseridos.

O livro foi lançado no ano de 2017.

…release que escrevi para apresentar o álbum Mundão de Ouro

 

Mundão de Ouro é o nome do novo CD de Riachão.
Foi escolhido por representar a forma como ele sempre viu e vê o mundo durante estes maravilhosos 92 anos de vida. É título de uma canção, inspirada em sua segunda esposa Dalvinha, já falecida, e este CD, portanto, é uma homenagem a ela.

 

Clementino Rodrigues tem jeito de malandro, se veste com roupa de malandro, se enfeita e se sente como “o tal”, contudo passa longe da essência da figura que não gosta de trabalhar e que supostamente vive do enganar. Ser malandro para Riachão é simplesmente um jeito para ser mais e mais feliz. E como ele sempre encontra algo belo, malandro que é malandro se dá bem, entende?. Nada é tão ruim que não passe e que não tenha seu lado bom.

O samba? É sua maior alegria. Com ele, Riachão descreve viagens, passagens, momentos, folias, encontros de bairro, do amado bairro do Garcia, carnavais, suas estórias e a história de sua vida.

 

Esse “Mundão de Ouro” guiou a escolha e a produção das 10 canções inéditas das 12 que compõem o repertório. Riachão tem em sua memória a lembrança de ter composto mais de 500 canções. Muitas talvez tenham ido com o vento para lugares inacessíveis. Outras tantas continuam vivas e junto aos seus casos e conversas no estúdio, elas saíram da sombra de sua memória. Neste processo de gravação do “Mundão de Ouro”, 71 músicas inéditas foram resgatadas e finalmente registradas.

 

Com a mesma leveza que foram nascidas, as canções foram sendo vestidas da sonoridade musical das ruas da Bahia, sons que correm soltos e desapegados da indústria que embalou a alegria afetiva dos baianos. Cássio Calazans e Serginho Rezende assinam em conjunto esta produção musical.

Sambas de muitos toques, toques de embolada, marchinhas de carnaval, sambas com viola e muito da gênese rítmica que fundamenta muitas das primeiras claves: africana, indígena e portuguesa, que juntas e misturadas ao tempero singular da baianidade fortalecem o nascimento da música brasileira popular.

 

Como cantor, Riachão entoa seus sambas de modo único, singular e vigoroso.

Como autor, ele possui um olhar que transparece o ineditismo dos dias e seus fatos, suas escolhas linguísticas viajam na fala cotidiana e coloquial, há uma poesia de quem viu a vida com imensa alegria e surpresa sem olhares extensivos ao mundo todo. Em suas letras, esse baiano nascido numa casa na Fazenda Garcia, mesmo local onde construiu a casa em que vive até hoje, não faz nenhuma referência aos orixás, ao acarajé, aos coqueiros, às paisagens tropicais, ou mesmo as expressões folclóricas que espelharam ou que construíram a Bahia cantada.

 

Nascido um ano antes da grande Semana da Arte de 22, este malandro criou, cantou e viveu sendo ele mesmo e sempre teve seu olhar repleto da liberdade criadora para ser sem nenhum receio, ele mesmo o tempo todo.

 

Vania Abreu Outubro de 2013 - Direção Artística

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prefácio para o Livro Mulheres Poetas & BAIANAS

Editora Caramurê

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texto que acho bem interessante

escrevi em 2007 para o Guia da Semana

…onde tinha uma coluna e tentei escrever, toda semana

 

 

 

        

 

Em 26 de janeiro deste ano, foi capa da Ilustrada (caderno de cultura do jornal A Folha de São Paulo) o libanês de 23 anos, o Mika. A matéria noticiava o seu grande e crescente sucesso,  informava que ele é a “principal aposta da gravadora Universal para 2007” e ainda, que “ele está prestes a tomar conta do mundo pop.” Na continuidade da matéria, destacavam-se opiniões de influentes e/ou poderosas figuras do show business sobre o artista.

 

 

Uma frase me chamou atenção: “...Ele é insolente, arrogante, bonito, escreve canções pop perfeitas, com letras bobas e grandes refrões. Gostaria que existisse mais gente como ele.”

Esta frase (entre outras em destaque) é de Paul Watts, editor da “Q”. Eu nem conhecia Mika, e sequer tenho idéia de quem seja Paul Watts. Perdoem-me os informadíssimos, mas fiquei a pensar sobre o que tinha lido.

         Toda vez que leio uma matéria como esta sobre um novo artista de sucesso, subentendo nas entrelinhas que existe um enorme investimento financeiro em sua carreira. Não discuto nem o talento, nem o carisma, tão pouco o merecimento, mas penso...quem é que afinal de contas consegue “convencer” todo o resto de que este é o “cara”? A matéria cita que ele foi rejeitado inúmeras vezes por gravadoras e ouviu de um (atual) jurado do “American Idol” (que proferiu profeticamente), que ele tinha uma boa voz mas que desistisse de procurar uma gravadora. Quem em algum momento da história dele (Mika) foi capaz de acreditar e fez a diferença? Exceto ele, quem e com qual poder? Porque fica claro para mim mais uma vez que todo grande sucesso é feito por muitos, muitos que podem fazer acontecer, mas que o artista parece ainda depender de um momento mágico. Há uma citação do próprio Mika revelando que queria ser uma dessas pessoas que cria um mundo de ilusão. Ilusão  ou certeza?

 

         Uma das certezas que tenho é que jamais suportaria que falassem assim de mim, mesmo que isso signifique para muitos na atualidade uma descrição de capacidade, de sucesso. Talvez nem ele próprio suporte, ou sequer dê importância. E fico com mais uma pergunta, o que é que importa mesmo? Até porque não estamos discutindo um universo particular de felicidade, comum nas campanhas de marketing deste século.

 

         Uma certa vez ouvi de um músico amador, destes que dizem que tocam por prazer nas horas vagas, por opção, (pois só como arquiteto conseguia pagar suas contas do mês), e por acreditar que na música seria muito difícil fazer sucesso: “na música você precisa ter muita sorte. Sorte para estar no lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas te ouvindo”. É verdade. Se sorte pode ser explicada como oportunidade e preparo, para a maioria falta esta oportunidade, o tal momento mágico que precede os outros: o do artista diante de alguém com poder e que acredite em você como “a principal aposta”.

É realmente preciso talento e muita sorte.

 

 

 

texto que adoro 

escrevi em 2015 para o site avosidade

…nem imaginava que em 2018 (apesar do Brasil) me tornaria avó